Globo e Fernando Collor – A Vitória do Caçador de Marajás
Em 1989 o país vivia um momento político singular. Pela primeira vez em décadas, o povo poderia escolher, em eleição direta, o novo presidente. Houve vários candidatos. Até Silvio Santos lançou a sua candidatura, porém, teve que se retirar devido a irregularidades no seu partido.
Timidamente, a Globo começou a mostrar a imagem de um jovem governador de um estado do Nordeste. Sendo mostrando imagens positivas, sendo parabenizando o apresentador Chacrinha pelo seu aniversário. Mais tarde, este jovem governador foi candidato a presidente por um novo e inexpressivo partido, o PRN. Como Collor não conseguiu a maioria absoluta dos votos, foi necessária a realização de um segundo turno nas eleições, entre Collor e o ex-sindicalista Lula.
Temerosa com o discurso de Lula, a Globo começou a apoiar Collor. Varias reportagens foram veiculadas de manifestações violentas de sindicalistas, numa clara tentativa de ligar a imagem dos atos hostis ao então candidato Lula. Num debate as vésperas do dia do pleito, a Globo organizou um debate entre os dois candidatos. No dia seguinte, a Globo apresentou duas reportagens com edições totalmente diferentes sobre o debate. Uma no jornal Hoje e outra totalmente tendenciosa apoiando Collor no Jornal Nacional, concedendo um espaço muito maior no jornal para Collor exibir suas idéias. O então editor de texto do Jornal Nacional relatou o seguinte fato:
“Quando eu estava assistindo ao VT, na ilha 10, o Ronald de Carvalho entrou e disse textualmente: ‘ É para fazer uma edição com o pior do Lula e o melhor do Collor’(…) Alberico pediu que se pusessem na edição duas coisas, das quais não me lembro se eram deslizes do Lula ou falas favoráveis do Collor. Certamente não eram coisas favoráveis ao Lula. Foi uma edição manipulada.“. Além desta edição tendenciosa, a Globo apresentou uma pesquisa com perguntas muito vagas e pouco objetivas sobre ambos os candidatos, todas elas favorecendo Collor e que foram produzidas pelo instituto de pesquisa responsável por montar a imagem do então futuro presidente. Armando Nogueira, então diretor da Central Globo de Jornalismo queixou-se da edição para o dono da Globo, Roberto Marinho e saiu da empresa. Albérico de Souza Cruz, o mandante da edição, foi promovido em seu lugar.
Dias antes da eleição, as pesquisa apontavam empate técnico entre os dois candidatos, com Collor vencendo a disputa por uma margem de 1%. A eleição foi vencida por Collor por uma vantagem de 4% dos votos em relação a Lula.

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