Ibsen Pinheiro x Veja – Anões do Orçamento

Os “Anões do Orçamento” foram descobertos em outubro de 1993, a partir das denúncias do economista José Carlos Alves dos Santos, integrante da quadrilha e chefe da assessoria técnica da Comissão do Orçamento do Congresso.

As revelações levaram à realização de uma CPI no Congresso Nacional que durante três meses esmiuçou o esquema de propinas montado por deputados que atuavam na comissão. Foram 18 acusados. Seis foram cassados, oito absolvidos e quatro preferiram renunciar para fugir da punição e da inelegibilidade.

O rastreamento das contas bancárias acabou derrubando o presidente da Câmara, Ibsen Pinheiro (PMDB), o líder do PMDB, deputado Genebaldo Corrêa (BA) e o deputado baiano do já falecido João Alves, suposto chefe do esquema. Havia dois esquemas fraudulentos. No primeiro, parlamentares faziam emendas remetendo dinheiro para entidades filantrópicas ligadas a parentes e laranjas. Mas o principal eram os acertos com grandes empreiteiras para a inclusão de verbas orçamentárias para grandes obras, em troca de polpudas comissões.

O envolvimento de Ibsen Pinheiro com os Anões do Orçamento começou com uma edição da revista Veja, de 17 de Novembro de 1993. A história foi levada ao conhecimento do Jornalista Luis Costa Pinto, da Veja, através do então assessor Waldomiro Diniz (que voltou a cena política devido ao Mensalão).Waldomiro entregou à Veja boletos de depósitos bancários que comprovavam transferências de 1 milhão de dólares entre contas do então deputado. A história fora publicada na edição que estava sendo finalizada. Entretanto, ao verificarem as contas, viram que Waldomiro Diniz havia feito uma conversão monetária equivocada, transformando mil dólares em 1 milhão de dólares. Como já haviam sido impressas mais de 1 milhão de capas(a reportagem, com o título “Até Tu, Ibsen?” era matéria de capa da revista), a Veja conversou com o deputado Benito Gama, que foi presidente da CPI do PC que confirmou que os valores estavam corretas e a reportagem fora publicada.

Ibsen Pinheiro, então, foi massacrado pela opinião publica. Ele contratou uma empresa de auditoria que comprovou que os valores estavam errados. A CPI ignorou a auditoria e cassou o mandato de Ibsen, então presidente da Câmara dos Deputados, que, então foi condenado á ficar 8 anos afastado da vida política. Em 2000, o processo que corria contra ele no Supremo Tribunal Federal por Sonegação Fiscal foi arquivado por falta de provas. Em 2004, retornou a sua vida política ao ser o vereador eleito com a maior votação em Porto Alegre.

A história veio a tona tempos depois com todos os detalhes através do próprio ex-jornalista. Ibsen era tido como o provável pré-candidato do PMDB para as eleições presidenciais de 1994, além de ser uma figura histórica na política brasileira, pois, foi ele quem presidiu a sessão na câmara dos deputados em que foi aprovado o Impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello.

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~ por ajmpt em junho 8, 2008.

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